sábado, 18 de outubro de 2014

Primavera morta



PRIMAVERA MORTA

Sem propósito,
nascem os dias assim,
esquálidos...
Afundados num silêncio
amorfo,
pássaros emudeceram.
Tudo o que se ouve,
são ecos das palavras
frias...
Navalha afiada,
retalha lembranças,
eviscera a esperança...
O sol perdeu os seus raios,
nos braços do frio inverno.
Esvaiu-se o aroma,
a vida em coma,
nesse breu sempiterno...
Na aridez da tristeza,
o amor padeceu,
um poema feneceu,
a estação não floresceu.




3 comentários:

  1. Um poema triste. Um findar dos dias em agonia lenta.
    Vamos brindar ao tempo da felicidade e aceitar a diferença entre as estações.
    Será que a mudança não nos oferece um colorido mais maduro e definido???

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  2. Falar de flores mortas, terra trincada faz uma revolução na alma, mas o poeta com arte faz beleza da coisas murchas e mortas e renasce na primeira manhã com o brilho do girassol.
    Abraços

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  3. Gentil amiga !
    Poderá ser triste, mas considero-o
    muito bem conseguido e estruturado.
    Obrigado pela partilha
    Beijo e meu sorriso
    Jorge Brites

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