quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

 Frieza
(Florbela Espanca)

Os teus olhos são frios como espadas,

E claros como os trágicos punhais;
Têm brilhos cortantes de metais
E fulgores de lâminas geladas.

Vejo neles imagens retratadas

De abandonos cruéis e desleais,
Fantásticos desejos irreais,
E todo o oiro e o sol das madrugadas!

Mas não te invejo,amor,essa indiferença,

Que viver neste mundo sem amar
É pior que ser cego de nascença!

Tu invejas a dor que vive em mim!

E quanta vez dirás a soluçar:
"Ah!Quem me dera,Irmã,amar assim!"

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