AGONIA
De repente o dia fez-se noite
Mergulhada no breu, despida de luar
E a razão lacerou o sonho num açoite
No silêncio vazio tombou a ilusão
Pelas sendas escuras esvaiu-se a quimera
Rasgou-se em dor pungente o coração
Nas brumas da tristeza afundou-se a poesia
Calou-se o verso
sufocado em agonia

Que nenhum dia-noite se abata sobre ti poetisa, e que a razão, essa destruidora das ilusões, seja forasteira ligeira em tua mente, a portar látego macio e não cnute implacável. Que não haja outras quimeras senão a que se esvaiu e não permita que a poesia afunde... Não sobre as brumas que lembram o mar que tanto, amas... Sê, pois, o verso novamente exaltado, eis que agonia também é ânsia de desejo, não só sofrimento.
ResponderExcluir