sexta-feira, 26 de abril de 2013

Sem palavras




SEM PALAVRAS

Quisera encontrar palavras tortas
para traduzir ao certo o que sinto
Mas fogem-me os verbetes
Atrevo-me nos versos
quase soltos, quem sabe loucos
Angustiada, insisto...
de teimosia me visto
Tão amuada fico,
mas não desisto
Perdida nas linhas eu brinco
Invento rabiscos que
molham o papel como chuvisco


Nesse vai e vem, rodopio
Arrisco notas em assobio
Melodias etéreas
Abraço o sol,
danço em torno da lua
risco estrelas,
nas calçadas da rua
Numa esquina qualquer
solto sorrisos ao vento
deito lágrimas ao lenço
Já não quero argumento
e por fim me convenço


O sentimento liquefeito
escorre pelos poros e
nos olhos já revela
o que explode lá no peito.












domingo, 21 de abril de 2013

Borboletas no Olhar



BORBOLETAS NO OLHAR


Para levitar nos jardins da existência,
experimente...
Enxergar a beleza na simplicidade
Redescobrir-se a cada amanhecer
Repousar nos braços da paciência
Bailar no compasso do tempo
Alimentar-se da paz do casulo
Perceber-se na metamorfose
Beber no cálice da sabedoria
Desabrochar em essência singular
Pintar-se em tons multicores
Sobrevoar a vida com asas de sonhos
Trazer borboletas no olhar









sábado, 20 de abril de 2013

Plúmbeo

PLÚMBEO

As lágrimas que beiram os olhos,
têm o peso do chumbo
Não escorrem...
Acumulam-se nas bordas,
embaçam a razão

Uma alma macerada jaz
sobre o mármore frio,
em qualquer canto do
interior

Rabiscadas em papel
desbotado,
palavras da esperança que
despediu-se

Ecos de lembranças
atravessam  paredes lúgubres,
como canto gregoriano

Entre as frestas do telhado,
à espreita, seus olhos
gelados
Corvos sorriem...
 


















quarta-feira, 17 de abril de 2013

Rotas




ROTAS

Risco traço
Apresso o passo
Desenho em espiral

Sigo rotas
Esbarro em portas
Angústia imoral

Cruzo espaço
Venço o cansaço
Busco um norte

Salto porteiras
Invado soleiras
Desafio a morte

Tenho a faca e a fome
Meu anseio tem nome
Vomito dores ao vento

Rejeito as metades
Engulo verdades
Perco a rosa dos ventos

Entre o leste e o ocaso
Meu destino ao acaso
Galope na pista do sol

Sem bússola e sem vela
Cavalo sem cela
Apagou-se o farol

Nos arcos do oráculo
Arrebento as algemas
Desintegro-me em poema.