domingo, 29 de setembro de 2013

A insustentável leveza do amor



"Temos amnésia da leveza, pois deduzimos que virá mais e mais no dia seguinte. Não criamos álbuns de nossas gargalhadas, mas recortamos as cenas rancorosas e amargas como se fossem definitivas e esclarecedoras.
Somos algozes da felicidade e, ao mesmo tempo, vítimas da infelicidade.”
(Carpinejar)


 

A INSUSTENTÁVEL LEVEZA DO AMOR
O amor inquietava pela simplicidade e leveza.
Tão puro, cristalino e pleno em sua essência que desestabilizava, porque o seu coração era primitivo e despreparado. Ele só conhecia o amor denso, pesado e egoísta.
Por isso, duvidava, estranhava e desdenhava. Sabia-se amado, mas não era capaz de retribuir, não se permitia desfrutar.
Os dias se passavam e o amor aumentava, se tornava mais intenso, porém sem perder a sutileza; ele não suportava. Sentia falta da angústia, do sofrimento e da dor.
Estava tão cego que a percepção embaçada minava a doçura. Inconscientemente refutava e rejeitava aquele amor, porque na verdade, era bem maior do que ele podia suportar.
Até que um dia ela cansou, chorou e decidiu.  Saiu pela porta, levando apenas o amor na bagagem e partiu.
No meio da nada, ele acordou sentindo o peso da falta do amor.


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