quarta-feira, 29 de janeiro de 2014

Andarilha



ANDARILHA



Sou Andarilha do tempo
Errante navegante
Sem porto e sem cais
Sempre ao sabor do vento

Sem ninho e sem lar
Corro mundo, vivo à toa
Já não tenho pressa
Sigo devagar

Despida de tudo
Visto-me apenas de mim
Ando descalça, pés na terra
Molhados de mar

Não levo bagagem
Nem pago passagem
Caminho à margem
Destino sem fim

O ontem ficou
Amanhã virá ou não
No breu da memória
Esqueci a ilusão

Meu pranto é a chuva
O riso secou
Do todo despedaçado
Recolho os pedaços
Remendos inexatos
Falam por si

Desse peito sem janelas
O amor foi exilado
Vazio de sonhos
Silenciou o coração

Sem rosto e sem nome,
Sou miragem etérea
Não deixo pegadas
Trilho de mãos dadas
Com a solidão.

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