PALAVRAS SINGULARES

São palavras jeitosas, formosas, inteiras.

Sem sentido, sem juízo, sem valor.

Faceiras, brejeiras, até corriqueiras.

Palavras intensas, carentes ou contentes.

Indecentes, inocentes, contingentes.

Trazem riso, pouco siso, alegoria.

Palavras de fé, de magia, de folia.

Fazem chorar, descontrolar e lamuriar.

Falam de amores, de dissabores,

exaltam as dores.

Palavras alegres, cintilantes, efusivas.

Verdadeiras, sorrateiras, benzedeiras.

Palavras que excitam, incitam, ousam sonhar.

Assim como falam, se calam.

Suplicam, replicam, explicam.

Palavras perdidas, inventadas...

De enfeite, deleite, um falsete.

Palavras tão belas, palavras de fera.

São palavras singulares,

São palavras de mim.

quarta-feira, 3 de abril de 2013

Mudança de estação

 
MUDANÇA DE ESTAÇÃO

Alegrias se esconderam no arrebol
Tempo nublado no peito
Sinto-me desfolhando
Outono da alma


 






terça-feira, 2 de abril de 2013

Disritmia




   DISRITMIA   
  Mais um dia nasce,
alheio à minha vontade.
O sol  chegou cedo,
dei por mim, já era tarde...

Pra sonhar,
lamuriar e
também chorar...


O tempo é célere.
A vida segue,
nos passos do vento,
sem impedimentos,
sem argumento,
não pode parar...

A esperança,
agarrada em um fio,
desfila em corda bamba,
entre tantos descaminhos.

A fome é outra,
insaciável...
Nessa agonia,
semeio versos
pra alimentar a
alma vazia.

Quanto à sorte,
segue aqui e acolá,
em passos rasos,
nessa disritmia...


Buscam um norte,
um cais, um forte,

ou talvez quem sabe,
encarem a morte.