PALAVRAS SINGULARES

São palavras jeitosas, formosas, inteiras.

Sem sentido, sem juízo, sem valor.

Faceiras, brejeiras, até corriqueiras.

Palavras intensas, carentes ou contentes.

Indecentes, inocentes, contingentes.

Trazem riso, pouco siso, alegoria.

Palavras de fé, de magia, de folia.

Fazem chorar, descontrolar e lamuriar.

Falam de amores, de dissabores,

exaltam as dores.

Palavras alegres, cintilantes, efusivas.

Verdadeiras, sorrateiras, benzedeiras.

Palavras que excitam, incitam, ousam sonhar.

Assim como falam, se calam.

Suplicam, replicam, explicam.

Palavras perdidas, inventadas...

De enfeite, deleite, um falsete.

Palavras tão belas, palavras de fera.

São palavras singulares,

São palavras de mim.

sábado, 12 de dezembro de 2015

Rendição

RENDIÇÃO

Agasalho-te entre os seios...
Colar de desejos rendados
Que se espraia pelo colo
Ofegante...
Sobre a alvura da epiderme,
Os bicos cintilam como
Pérolas de marfim...
Refém do fascínio e da cobiça,
Tu te rendes...
Entre as paredes macias
Desse paraíso encarnado,
Deságua sem reservas
Teu rio extasiado



terça-feira, 8 de dezembro de 2015

Sou das canções...

 Sou das canções...

Um fado das cotovias
O lamento da poesia
Melodia sem refrão
Clave de um poema
Afivelado na garganta
Sustenido de emoções

domingo, 29 de novembro de 2015

Quando nos rouubam os sonhos

QUANDO NOS ROUBAM OS SONHOS

Quando um sonho é abortado a revelia
Do ventre da alma com um açoite
O peito dilacera-se em sangria
E os dias são tragados pela noite

Quando um sonho é ferido de morte
Pelas mãos perversas do destino
Somos largados à própria sorte
Zumbis padecendo em desatino

Quando os sonhos naufragam na ilusão
Pela tormenta da realidade
Mergulhamos na obscuridade

O sonho é a esperança emergida
A utopia que alimenta a vida
O mote que acelera o coração

terça-feira, 24 de novembro de 2015

Desejo silente

DESEJO SILENTE

Um olhar cálido te busca
em pensamento...
Numa lânguida espera,
o corpo sonha,
alheio ao tempo...
Na textura da pele
desenha-se sutilmente,
os segredos do desejo
silente

quarta-feira, 18 de novembro de 2015

Alma Sazonal

ALMA SAZONAL

Na inquietude de minh´alma sazonal
Transmutam as estações...

Meus verões acendem as paixões
Desnudo-me sem pudores
Solto os desejos ao vento
No calor do sol
Sou girassol...

Nos invernos sou hibernação
Agasalha- me a tristeza
Dentro das noites austrais
Visto-me de silêncios
Sou solidão...

Os outonos amarelam os sonhos
Sinto-me desfolhar
Em dias que fogem mais cedo
Ventos amenos esticam as noites
Com tons de melancolia
Sou poesia...

Em setembro, a floração
Escancaro as janelas
Pulo as sacadas no rastro das flores
Estampo sorrisos, esqueço a quimera
Sou primavera!




sábado, 7 de novembro de 2015

Sopro de prazer

SOPRO DE PRAZER

Nos campos viçosos de tua fantasia
Meu corpo esgueira-se entre veredas de desejos...
A nudez se esparrama sobre teus devaneios
E como um sopro que aquece as noites de verão
O prazer germinado, floresce

sábado, 31 de outubro de 2015

Desejos em versos

DESEJOS EM VERSOS

Teus versos têm a cor do desejo
Afloram a libido num lampejo
Espraiam-se na pele em arrepio

Cada rima traz no bojo uma vontade
Intenções que se banham na umidade
Borrifam no corpo um aroma de cio

Instintos aflorados entre os hiatos
Em anseios que precedem o contato
Nos espasmos o prenúncio do prazer

Quando enfim um orvalho viscoso
Precipita-se entre as coxas estremecidas
Toda razão já se fez esquecida

A inspiração lambuza-se em um poema
Com o gozo que escorre pela pena

terça-feira, 27 de outubro de 2015

Flor (ação)

FLOR (AÇÃO)

Fenece a dor,
Vida em floração...

Paixão desabrocha
Floresce a emoção
O sorriso floresce
Alma em comunhão

Flora floresce
Primavera amanhece
No peito sonhador
Lágrimas florescem
Marejam as retinas
Orvalho viçoso
Aroma de flor

Fenece a dor,
Esvai-se a amargura...
Num sopro de ternura
Floresce o amor

segunda-feira, 19 de outubro de 2015

A ilusão da poesia

A ILUSÃO DA POESIA
Minha poesia é uma janela de frente pro mar...
Os versos saltam o parapeito
Brincam na areia, beijam sereia,
Fazem cantiga com o marulhar
Minha poesia é uma janela ventilada...
No sopro da inspiração, versos criam asas
Sobrevoam madrugadas, despertam a passarada,
Vestem-se com as cores do arrebol
Minha poesia é uma janela sem grades...
Os versos inventam amores, exorcizam as dores
Fazem rimas de felicidade
Minha poesia é uma janela de ilusões...
Sorrisos em versos são catarse
Banhados de lágrimas e sangue
Escoam pela sacada pra esquecer
a realidade  

quinta-feira, 15 de outubro de 2015

Um poema amanhece

UM POEMA AMANHECE...

Numa cama de flores
Amanhece um poema vivo
Talhado com as rimas dos
Beijos de ontem...
Um poema de versos sedosos,
Esparramados sobre a maciez
Dos lençóis de cetim...
Numa cama de flores
Amanhece um poema encarnado
Marcado com os vestígios da
Paixão de ontem...
Um poema desnudo,
De rubras metáforas,
Encharcadas pelos fluidos
Dos amantes...
Numa cama de flores
Amanhece um poema singular
Inspirado pelas promessas de ontem...
Um poema perfumado com
Gotas de lirismo, encantador
Escrito com a tinta indelével
Do amor... 

segunda-feira, 5 de outubro de 2015

Oferenda

OFERENDA
... e assim, no próximo ato  
ofereço-me sem recato
Cai de joelhos e esquece
tudo o que aqui dentro
não cabe...
Pensa em Baco e
sorve meu licor
Quebra esse jejum
Entrega-te ao pecado
Festeja sem pudor...
Nesse banquete profano
hoje sou o teu regalo

sexta-feira, 2 de outubro de 2015

A linguagem das flores

A LINGUAGEM DAS FLORES

Quem disse que as rosas não falam
Certamente não entende
A língua do coração...
As flores quando sorriem
Exalam em seu perfume
Palavras coloridas de emoção

Pergunte ao bom jardineiro
Que passa horas no canteiro
Quanto sonho já segredou
No ouvido apurado da flor...

Ele há de confessar
Que não há outra criatura
Que o ouviu com tanta doçura
E no silêncio acalentou
Sua alma com amor e ternura

Aquele que oferece uma flor
Não precisa de palavras
Pra justificar o presente...
No pergaminho das pétalas
Vai grafado sutilmente
Tudo aquilo que se sente

Flores são poemas...
Não basta ter olhos e ouvidos
Pra escutar
Há que se ter a alma despida
Uma loucura escondida
A coragem para amar...


sábado, 26 de setembro de 2015

Beijo em verso

BEIJO EM VERSO

Tragada pelo céu de tua boca
Espraia-se a língua no universo
Afogado no mar da paixão louca
O beijo ressuscita em um verso

quarta-feira, 23 de setembro de 2015

Estação mulher

ESTAÇÃO MULHER

Musa de tantos encantos
Vestida de cor e magia
Entoa no peito um acalanto
       Sopra ventos de poesia       

Vive cercada de flores
Deixa no ar seu perfume
Faz florescer os amores
Muita paixão e ciúme

Bela diva dos poetas
Seja mundano ou asceta
Sempre exala inspiração

Rosa, orquídea ou malmequer
No equinócio da estação
A primavera é uma mulher

quinta-feira, 10 de setembro de 2015

Um punhado de versos

UM PUNHADO DE VERSOS

Num punhado de versos cabem silêncios
Gritos agudos, soluços contidos
Segredos escabrosos de confissão

Cabe o sopro, o nada, um apelo indizível
Um vórtice, espasmo, um sustenido
A rima incoerente, uma canção

Uma palavra, um mote, um fonema
Ecos de vida na partitura d´um poema

terça-feira, 8 de setembro de 2015

Fora do eixo

FORA DO EIXO
Essa nudez disfarçada
Revela as curvas d´um relevo divinal...
Numa ânsia desgovernada,
Desejos afoitos derrapam sem freio,
Perco o juízo na contramão...
Cego de paixão nessa estrada,
Em completo desnorteio,
Sucumbe fora do eixo,
O pejo do corpo pagão

segunda-feira, 31 de agosto de 2015

Simples?

 SIMPLES?

Um poema não é simples...
Simples são as palavras
Despidas de emoção

Poema é dor que sangra,
Cinzel que entalha,
Expiação...
Poema é paixão violenta,
Amor que sustenta,
Celebração...
Poema é riso, é viço,
Fogo, artifício
Explosão...
Poema é vida que pulsa
No peito, na veia,
Comichão...
Poema é o rio,
Oceano, é o cio
Arrebentação...
Poema é catarse,
Sacrifício, é mantra
Redenção...
Poema é a morte
Que jaz no concreto
Libertação...


Sob o véu da simplicidade
Rasga-se o verso em confissão
No rastro da eternidade
O poema é solidão

quarta-feira, 26 de agosto de 2015

Se eu fosse poeta

SE EU FOSSE POETA
Quem dera escrever um belo poema
Derramar a emoção no bico da pena
Revelar o amor no bojo d´um verso
Como os astros que clareiam o universo

Quem dera ter uma réstia de inspiração
Ventilando as palavras no coração
Nas estrofes flamejar o sentimento
Pra ser lembrado no livro do tempo

Quem dera ser poeta, como o velho mar
Que risca poesia no corpo da praia nua
Marulhando versos no ouvido da lua

Ah! Quem dera eu pudesse assim versejar
No silêncio da madrugada insone
Um poema c´as rimas de seu nome

quinta-feira, 6 de agosto de 2015

Cura

CURA

Sou aquela que provoca teus delírios,
Fonte de inspiração...
Mar onde navegam desejos,
Porto de ancoragem do tesão.

No vão das coxas, abriga-te...
Cúpula vulcânica na medida exata
onde teu calibre se encaixa.

Fervor da santa e malícia
da puta... Sem disfarces,
fêmea absoluta.
Cadência nas ancas,
Indomável potranca,
Em teu cabresto alazão.

Nossas línguas em espiral,
Lambem lábios, sugam prazer...
Boca lasciva, profundo grotão
Onde deságua torrente seminal.

Sou teu leito navegável sem pejo,
A vela que flameja no mastro
Insólita loucura, pecado sobejo...

Sou teu êxtase, promessa pagã
O elixir pra tua febre terçã

quarta-feira, 5 de agosto de 2015

Poema gozoso

POEMA GOZOSO

No sonho é assim...
Um beijo carmim,
Quente e malicioso.
Encharca os lábios todos,
Espalha-se pelo entorno,
Faz brotar a inspiração...
O corpo revela-se em prosa,
Nas linhas vermelhas do sonho,
Escreve um poema gozoso.

Reflorescer

REFLORESCER

O inverno congela o sorriso
E como orvalho em gotas
Rolam dores do coração

Não tarda o calor evapora
As lágrimas dessa quimera
Com a mudança de estação 

Em breve mudam os ventos  
Anunciando a primavera

quinta-feira, 30 de julho de 2015

Vento devasso

VENTO DEVASSO

Ah quem dera esse vento
Te trouxesse em pensamento
Pra levantar meu vestido...
Enquanto espero ansiosa
Tua presença em ventania
Deixar minhas pernas de fora
Faço minhas as tuas mãos...
Enrosco, levanto o tecido
Num arrepio esqueço o juízo
Em segredo solto um gemido.

Eterno vagar

ETERNO VAGAR

Eu estou sempre por aqui
A pelejar...
Cabeça longe
Singrando nuvens
Olhos presos no papel
Aguardo os ventos da inspiração
Nesse eterno vagar...
Voo no solfejo da brisa ou
No ímpeto da ventania
Muitas vezes silencio...
É o bafo quente da calmaria