PALAVRAS SINGULARES

São palavras jeitosas, formosas, inteiras.

Sem sentido, sem juízo, sem valor.

Faceiras, brejeiras, até corriqueiras.

Palavras intensas, carentes ou contentes.

Indecentes, inocentes, contingentes.

Trazem riso, pouco siso, alegoria.

Palavras de fé, de magia, de folia.

Fazem chorar, descontrolar e lamuriar.

Falam de amores, de dissabores,

exaltam as dores.

Palavras alegres, cintilantes, efusivas.

Verdadeiras, sorrateiras, benzedeiras.

Palavras que excitam, incitam, ousam sonhar.

Assim como falam, se calam.

Suplicam, replicam, explicam.

Palavras perdidas, inventadas...

De enfeite, deleite, um falsete.

Palavras tão belas, palavras de fera.

São palavras singulares,

São palavras de mim.

sábado, 29 de outubro de 2011

FALTA UMA PALAVRA NO VOCABULÁRIO DA INCLUSÃO 
Nonato Menezes


Está na moda. Soa bem. Alimenta intensões e tem sido defendida como a novidade capaz de salvar almas e acalentar corpos. Incluir se fez tão necessário que ninguém ousa sombrear seu foco. É como se agora, de fato, “o sol brilhará para todos”.

Incluir significa juntar. Pode abarcar partes distintas e fenômenos semelhantes. Posso juntar pedras de tamanhos diferentes, como posso incluir pessoas de cores, credos e níveis socioeconômicos distintos. Não posso é afirmar que o processo inclusivo em discussão seja exatamente isto, ou apenas isto. Que seja apenas juntar diferentes ou incluir alguém entre outros.

Agregados à ideia de Inclusão, encontramos vários conceitos que ajudam na formulação teórica do processo que hoje podemos cotejar nos mais diversos ambientes socioeducativos, sobretudo, na escola formal. Mesmo com ressalvas às dessemelhanças de alguns significados, a presença em textos e discursos proferidos destes termos são constantes e enfatizados.

Tão marcante é a presença dos termos pertencimento, acessibilidade, alteridade, solidariedade, garantia de direitos e integrar que não há como desconhecer a estrutura de poder por eles engendrada. Então, como começo, meio e fim desse processo, são estes termos que dão ritmo, definem valores e organizam o método político. Negá-lo, nesta circunstância, é abstrair-se do contexto e não perceber o óbvio.

Não fosse a incompletude de tudo no mundo, diríamos que este discurso é perfeito, que a terminologia é a única e mais adequada possível e que não paira nenhuma dúvida quanto essa verdade.

Mas, se não há erros nessa ação, nem excessos, podemos arguir sobre o que falta. Falta afeto no vocabulário da Inclusão. Não falta apenas o vocábulo, falta intensão e desejo de defendê-lo como parte do método para incluir. É o afeto que desarma os espíritos, que eleva a estima, que humaniza. É o afeto que alegra a vida, que dá segurança, sobretudo a quem estar e se sente fora, excluído, preterido.

Ter acesso não é suficiente para se sentir incluído. Ter direitos assegurados, por si só, não garante legitimidade ao bem estar interior. Aceitar alteridade, esta palavra sofisticada, para reconhecer o outro, o distinto não garante plenitude ao processo inclusivo. Portanto, incluir e ou integrar, tratando-se de pessoas, deveria ser muito mais que juntar as peças, abrigar o outro, aproximar os corpos. A inclusão deveria ligar os corpos, com palavras e gestos de afeto. Se a razão arruma, organiza, é o afeto que aproxima, liga, encanta.

Assim, mais que a razão, neste caso, o afeto é primordial para os “diferentes” conviverem, se respeitarem e se amarem. A inclusão sem afeto é processo com motivos e com razão, mas sem alegria, sem encanto e sem harmonia. Viver com razão é TER DIREITO DE. Viver com afeto é FRUIR DO DIREITO COM.


terça-feira, 25 de outubro de 2011


  ENCANTO

 EU CANTO ESSE CANTO
EM CADA CANTO DO MEU SER
E ESSE CANTO VEM DO ENCANTO
QUE ME ENCANTA AO TE VER
CADA VEZ QUE EU CANTO
AUMENTA O MEU ENCANTO
E A BELEZA DESSE CANTO
ENVOLVE CADA RECANTO
DESSE ENCANTO QUE É VOCÊ

(Beth Lucchesi)

quarta-feira, 5 de outubro de 2011

 
Meu corpo, tua sinfonia
 (Betty Lucchesi)

Tuas mãos em meu corpo
Fazem vibrar...
Em notas precisas, melodia fascinante.
Tal qual músico habilidoso,
Em harmonia com seu instrumento
Vais tocando suavemente,
Deslizando em acordes perfeitos.
Os suspiros, gemidos, gestos e sussurros
Sintonizam a cifra que orquestras com paixão.
Sabes de cor cada segredo dessa partitura
E assim, tocando...
Vais compondo tua sinfonia
Nesse prelúdio, tua alma resplandece,
O meu corpo agradece,
Vibrando, ao toque de tuas mãos.
E ao som dessa melodia,
Juntos nos deleitamos
No infinito desse amor.

quarta-feira, 28 de setembro de 2011

 
 PABLO NERUDA

Vês estas mãos?
Mediram a terra, separaram os minerais e os cereais,
fizeram a paz e a guerra, derrubaram as distâncias
de todos os mares e rios,
e, no entanto, quando te percorrem a ti,
pequena, grão de trigo, andorinha,
não chegam para abarcar-te,
esforçadas alcançam as palomas gêmeas
que repousam ou voam no teu peito,
percorrem as distâncias de tuas pernas,
enrolam-se na luz de tua cintura.
Para mim és tesouro mais intenso de imensidão
que o mar e seus racimos
e és branca, és azul e extensa como a terra na vindima.
Nesse território, de teus pés à tua fronte,
andando, andando, andando, eu passarei a vida.

sábado, 24 de setembro de 2011

ILUMINADO
(Vander lee)


Vi o meu sentido confundido, iluminado
Vi o sol enluarar, quando viu você
Vi a tarde inteira, a Sexta-feira, o feriado
Esperando o amor chegar e trazer você
Você chegou querendo
Tudo que o tempo não te deu
E que levou de você;
Sem saber que você já sou eu
Agora não entendo
O meu relógio o amor tirou
Mas sei que o meu coração
Tá batendo mais forte
Porque você chegou


terça-feira, 13 de setembro de 2011


EU, MULHER
 (Be Me)

Do sexo frágil nasci
Formosa, dengosa, criança.
Namoricos, mexericos,
Entre suspiros, cresci.
Nos amores, desejos e conflitos,
UMA MULHER, amadureci.
As angústias, anseios, encantos e magia
Na inquietude,  A MULHER me tornei.
Sou densa, intensa, sou paixão
Sou amante, sou poesia, coração.
Alma leve, riso fácil, sou sonho
Sou aquela que pulsa..
Tão simples, sou única,
Sou ESTA MULHER.