PALAVRAS SINGULARES

São palavras jeitosas, formosas, inteiras.

Sem sentido, sem juízo, sem valor.

Faceiras, brejeiras, até corriqueiras.

Palavras intensas, carentes ou contentes.

Indecentes, inocentes, contingentes.

Trazem riso, pouco siso, alegoria.

Palavras de fé, de magia, de folia.

Fazem chorar, descontrolar e lamuriar.

Falam de amores, de dissabores,

exaltam as dores.

Palavras alegres, cintilantes, efusivas.

Verdadeiras, sorrateiras, benzedeiras.

Palavras que excitam, incitam, ousam sonhar.

Assim como falam, se calam.

Suplicam, replicam, explicam.

Palavras perdidas, inventadas...

De enfeite, deleite, um falsete.

Palavras tão belas, palavras de fera.

São palavras singulares,

São palavras de mim.

domingo, 14 de abril de 2013

Oásis

The Shadow Of Your Smile by The Singers Unlimited on Grooveshark


 OÁSIS


Caminhos incertos te levam a lugar nenhum
Dias insípidos e opacos, sem perfume e sem cor
Barulhos estrangeiros inquietam tua alma
Melodia não há...

Rostos esquálidos esbanjam sorrisos sem vida
Palavras inócuas perdem-se no vazio, inertes
Jogos de poder no tabuleiro gasto de cartas marcadas
Ausência de emoção...

Corpos viciados perdem-se na mesmice do ato
Desejos amontoados nos cantos do instinto
Escorrem pelas valas da necessidade
Gozo sem paixão...

Em meio às brumas do desalento, avista-me
Cá estou vestida de simplicidade
Plena de amor, recebo-te sem medidas
Tudo em mim pulsa por ti...

Em meu regaço aninha-te e entrega-te
Bebes de minha fonte perene
Sacias tuas sedes, banha-te nu
Sou abundância...

No frescor de minha tenda repousas
Entre aromas e sabores, refestela-te
Na aridez desse deserto infértil
O calor emana de nós....

Emaranhados nos laços sem nós
Reconhecemos-nos em silêncio
Sob o manto que cobre a solidão
Teu oásis sou eu...

quinta-feira, 11 de abril de 2013

Espelho D` Alma




ESPELHO D´ALMA

 
Há que se ter uma aura sublime.
Ver com olhos da águia que alça voos com sabedoria.
Trazer no coração a pureza da criança e leveza do beija-flor.
Exalar aroma de flores e provar do mel das colmeias raras.
Bailar no ar como as garças sobre a mansidão do lago.
Guardar a bondade suprema.
Deixar-se seduzir pela melodia do amanhã.

Ser mar e ser porto, alegria e solidão.
Sorrir com o olhar como o sol da aurora.
Esconder lamparinas na íris e banhar-se nas águas da poesia.
Repousar nos braços do amor, como forma de redenção.
Só assim, se poderá desvendá-lo, pois esse é o espelho de tua alma.






terça-feira, 9 de abril de 2013

Matizes




MATIZES


O azul do olhar que se confunde com
a imensidão do mar, viaja para além
do horizonte anil...

Marés circundam a praia
serena, aquecida pelo amarelo
do sol que beija o girassol...
Sua corola desponta no tapete verde
dos campos, pro deleite do rouxinol.

A chuva que despenca do céu
em tons de cinza encharca o
peito de melancolia...
Opaca é a cor da tristeza.

No breu da noite, as estrelas
fazem festa em comunhão
Com a lua...
Aqui embaixo, dança de
pirilampos sobre o marrom
do chão.

Papoulas florescem
rubras e perigosas...
Símbolo da paixão que
preenche o átrio do
cárdio, alucinante
como o ópio da flor.

Violetas na janela,
O doce da laranja,
Rosa sempre bela...

Variados matizes
colorem a vida...
Portais de um arco-íris
 que emoldura os sonhos,
como uma grande aquarela...

Essa mistura de tons
resplandece na alma
que se encanta e
aquieta no branco
do amor e da Paz.