PALAVRAS SINGULARES

São palavras jeitosas, formosas, inteiras.

Sem sentido, sem juízo, sem valor.

Faceiras, brejeiras, até corriqueiras.

Palavras intensas, carentes ou contentes.

Indecentes, inocentes, contingentes.

Trazem riso, pouco siso, alegoria.

Palavras de fé, de magia, de folia.

Fazem chorar, descontrolar e lamuriar.

Falam de amores, de dissabores,

exaltam as dores.

Palavras alegres, cintilantes, efusivas.

Verdadeiras, sorrateiras, benzedeiras.

Palavras que excitam, incitam, ousam sonhar.

Assim como falam, se calam.

Suplicam, replicam, explicam.

Palavras perdidas, inventadas...

De enfeite, deleite, um falsete.

Palavras tão belas, palavras de fera.

São palavras singulares,

São palavras de mim.

sábado, 14 de setembro de 2013

Quimera



QUIMERA

Não venha falar de amor
Pra esse peito tão maltratado
Perfurado pelas lanças da dor

Não me ofereça teus belos versos
Traçados em pergaminho de poesia
Entoando mais uma elegia


 Não faça promessas de felicidade

          Cansei de viver no seio da saudade





sexta-feira, 13 de setembro de 2013

Hilda Hilst



DEZ CHAMAMENTOS A UM AMIGO

Se te pareço noturna e imperfeita
Olha-me de novo. Porque esta noite
Olhei-me a mim, como se tu me olhasses.
E era como se a água
Desejasse
Escapar de sua casa que é o rio
E deslizando apenas, nem tocar a margem.
Te olhei. E há tanto tempo
Entendo que sou terra. Há tanto tempo
Espero
Que o teu corpo de água mais fraterno
Se estenda sobre o meu. Pastor e nauta
Olha-me de novo. Com menos altivez.
E mais atento.



Hilda Hilst

quinta-feira, 5 de setembro de 2013

Primaverar



PRIMAVERAR

Teço um tapete de flores
Enfeito-me de cores
Faço a alegria desfilar
Entre aromas e sabores
Refloresço plena de amores
Hora de desabrochar
No equinócio iminente
Setembro se faz presente
Sinto-me primaverar.