PALAVRAS SINGULARES

São palavras jeitosas, formosas, inteiras.

Sem sentido, sem juízo, sem valor.

Faceiras, brejeiras, até corriqueiras.

Palavras intensas, carentes ou contentes.

Indecentes, inocentes, contingentes.

Trazem riso, pouco siso, alegoria.

Palavras de fé, de magia, de folia.

Fazem chorar, descontrolar e lamuriar.

Falam de amores, de dissabores,

exaltam as dores.

Palavras alegres, cintilantes, efusivas.

Verdadeiras, sorrateiras, benzedeiras.

Palavras que excitam, incitam, ousam sonhar.

Assim como falam, se calam.

Suplicam, replicam, explicam.

Palavras perdidas, inventadas...

De enfeite, deleite, um falsete.

Palavras tão belas, palavras de fera.

São palavras singulares,

São palavras de mim.

quarta-feira, 17 de setembro de 2014

Palavra... pra que te quero.



Palavra...
pra que te quero.

Palavra é sentimento verbalizado
Um gesto de afago ou açoite
Flui da boca ou do coração
Faz-se luz do dia ou breu da noite
A palavra é toda poder
Flecha lançada ao vento
Uma vez dita, já não se pode reter
Seus frutos serão colhidos no tempo
Uma palavra proferida com brandura
Envolve a alma numa aura de doçura
Mas se escorre amarga como o fel
Esculpe a dor como a ponta do cinzel
A palavra é o voo do poeta
Pra levar ao mundo encanto e magia
Façamos dela nossa apologia
Um verso de amor pra exaltar a poesia.

terça-feira, 16 de setembro de 2014

Renovação



RENOVAÇÃO

Esvaziei-me...
Desocupei espaços,
Desfiz os laços,
Desaprendi.
Hoje,
Sou solo cultivando semente,
Frasco aspirando perfume,
Poço juntando chuva,
Areia esperando mar.
Madrugada chamando alvorada,
Céu sonhando com estrelas,
Crepúsculo namorando o luar...
Sou silêncio compondo melodia,
Pergaminho inspirando poesia
Ventre gerando vida,
Saudade com tom de despedida...

           Sou primavera despertando jardins,
           Estrada nova pro destino caminhar...

                              Hoje sou toda vazios...
                          Amanhã quero transbordar!

segunda-feira, 15 de setembro de 2014

Partidas



PARTIDAS

Cansei de tantas partidas
De ficar pra trás esquecida,
Sempre nessa velha estação...


Quem parte, leva e não reparte
Deixa apenas a marca do abandono
Uma cicatriz desenhada, sem arte
Nas ranhuras no coração.

Hoje sou eu quem está de partida
Levo na mala as partes de mim...
Cansei de ser porto ou guarida,
Pros caprichos da desilusão.

quinta-feira, 11 de setembro de 2014

Quintessência do amor




QUINTESSÊNCIA DO AMOR

Um sentimento...
Poesia dedilhada em instrumento suave,
acordes em diapasão.
Sussurrada no refúgio do abraço querido,
aspirando ao aroma dos desejos...
Palavra parida no aconchego do ventre,
alma em profusão...
A vida inteira num momento,
quintessência do amor...