PALAVRAS SINGULARES

São palavras jeitosas, formosas, inteiras.

Sem sentido, sem juízo, sem valor.

Faceiras, brejeiras, até corriqueiras.

Palavras intensas, carentes ou contentes.

Indecentes, inocentes, contingentes.

Trazem riso, pouco siso, alegoria.

Palavras de fé, de magia, de folia.

Fazem chorar, descontrolar e lamuriar.

Falam de amores, de dissabores,

exaltam as dores.

Palavras alegres, cintilantes, efusivas.

Verdadeiras, sorrateiras, benzedeiras.

Palavras que excitam, incitam, ousam sonhar.

Assim como falam, se calam.

Suplicam, replicam, explicam.

Palavras perdidas, inventadas...

De enfeite, deleite, um falsete.

Palavras tão belas, palavras de fera.

São palavras singulares,

São palavras de mim.

terça-feira, 15 de março de 2016

Minha nudez

MINHA NUDEZ

Minha nudez veste-se de desejos
Anseios que disfarçam o pejo
Em arrepios expostos na tez

Minha nudez cobre-se de paixão
Revelada nas dobras da emoção
Retalhos que escondem a timidez

Nesse corpo onde brota a nascente
D´um rio caudaloso de prazer
A vida mergulha incontinente

Abrigada pelo manto do amor
Toda volúpia será perdoada
Minha nudez não será castigada

quarta-feira, 13 de janeiro de 2016

Embriaguez

EMBRIAGUEZ

Sou o desejo licoroso
Deleite precioso
Teu vício e insensatez
Sorva-me lentamente
Deixa-me escorrer
Queimar tua garganta
Teu fogo acender
Cria de Dionísio
Levo-te ao paraíso
Ébrio de prazer
Sou teu gozo flambado
Pelo corpo embriagado
Teu cálice de xerez

Até que a lua adormeça
Desfruta desse ensejo
Afoga-te sem pejo...

Esvazia-me de todo o cio
Antes que o dia amanheça

Tanka

Chove lá fora
Pulsam versos molhados
Saudades do amor

Logo a noite adormece
N´aurora retorna o sol

sábado, 12 de dezembro de 2015

Rendição

RENDIÇÃO

Agasalho-te entre os seios...
Colar de desejos rendados
Que se espraia pelo colo
Ofegante...
Sobre a alvura da epiderme,
Os bicos cintilam como
Pérolas de marfim...
Refém do fascínio e da cobiça,
Tu te rendes...
Entre as paredes macias
Desse paraíso encarnado,
Deságua sem reservas
Teu rio extasiado



terça-feira, 8 de dezembro de 2015

Sou das canções...

 Sou das canções...

Um fado das cotovias
O lamento da poesia
Melodia sem refrão
Clave de um poema
Afivelado na garganta
Sustenido de emoções

domingo, 29 de novembro de 2015

Quando nos rouubam os sonhos

QUANDO NOS ROUBAM OS SONHOS

Quando um sonho é abortado a revelia
Do ventre da alma com um açoite
O peito dilacera-se em sangria
E os dias são tragados pela noite

Quando um sonho é ferido de morte
Pelas mãos perversas do destino
Somos largados à própria sorte
Zumbis padecendo em desatino

Quando os sonhos naufragam na ilusão
Pela tormenta da realidade
Mergulhamos na obscuridade

O sonho é a esperança emergida
A utopia que alimenta a vida
O mote que acelera o coração