PALAVRAS SINGULARES

São palavras jeitosas, formosas, inteiras.

Sem sentido, sem juízo, sem valor.

Faceiras, brejeiras, até corriqueiras.

Palavras intensas, carentes ou contentes.

Indecentes, inocentes, contingentes.

Trazem riso, pouco siso, alegoria.

Palavras de fé, de magia, de folia.

Fazem chorar, descontrolar e lamuriar.

Falam de amores, de dissabores,

exaltam as dores.

Palavras alegres, cintilantes, efusivas.

Verdadeiras, sorrateiras, benzedeiras.

Palavras que excitam, incitam, ousam sonhar.

Assim como falam, se calam.

Suplicam, replicam, explicam.

Palavras perdidas, inventadas...

De enfeite, deleite, um falsete.

Palavras tão belas, palavras de fera.

São palavras singulares,

São palavras de mim.

quinta-feira, 16 de abril de 2015

Rapsódia d´um outono

RAPSÓDIA D´UM OUTONO

Tropeço na realidade,
Que me atira na cara a verdade...
Quase sorrio de minha estupidez.
Jaz perdida a batalha,
Envolta em puída mortalha,
Luta inglória da insensatez.
Sem mais nada a perder,
Grito até romper,
Os tímpanos desse silêncio
Estanque...
Desfio um rosário de dores,
Rogo praga nos amores,
Amaldiçoo esse sonho
Pagão.
Já é outono e o inverno
Não tarda...
Em breve o frio congela,
Melancólica a alma hiberna,
Penitência sem perdão.
Dobro os joelhos ralados,
Recolho os cacos espalhados,
Entre as folhas caídas,
No chão.

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