PALAVRAS SINGULARES

São palavras jeitosas, formosas, inteiras.

Sem sentido, sem juízo, sem valor.

Faceiras, brejeiras, até corriqueiras.

Palavras intensas, carentes ou contentes.

Indecentes, inocentes, contingentes.

Trazem riso, pouco siso, alegoria.

Palavras de fé, de magia, de folia.

Fazem chorar, descontrolar e lamuriar.

Falam de amores, de dissabores,

exaltam as dores.

Palavras alegres, cintilantes, efusivas.

Verdadeiras, sorrateiras, benzedeiras.

Palavras que excitam, incitam, ousam sonhar.

Assim como falam, se calam.

Suplicam, replicam, explicam.

Palavras perdidas, inventadas...

De enfeite, deleite, um falsete.

Palavras tão belas, palavras de fera.

São palavras singulares,

São palavras de mim.

domingo, 11 de agosto de 2013

Ilusão derradeira



ILUSÃO DERRADEIRA


Trilhei tantos caminhos,
rabisquei pergaminhos,
numa busca sem fim.
Pelas margens da estrada,
nos sulcos das pegadas,
ficaram pedaços de mim.
Sentimentos cultivados
em solos estéreis,
feridos, maltratados
ruíram, enfim...
Hoje a angústia é companheira...
Sob os restos amontoados,
entre a tristeza e o cansaço,
ecoa o suspiro moribundo da
ilusão derradeira.


sábado, 10 de agosto de 2013

Virar Pérola

VIRAR PÉROLA

Nos ciclos das tempestades,
abrigo-me na concha da alma.
Recolho o sofrimento,
guardo as dores que arranham o peito e
afogam-me no pranto que lava e expurga
todos os males.
Como a ostra que repousa silente
nas águas profundas do mar,
espero...
Rejeito os medos e o desespero,
evito a sedução da amargura.
Com o tempo, as chagas desaparecem.
Sinto-me fortalecer...
O grão de areia vira pérola.


quinta-feira, 8 de agosto de 2013

Breu eterno



BREU ETERNO

Abri os olhos,
Amanhecia...
Mas em mim ainda era noite,
O sol não alcançava o dia.

Busquei na lembrança, os sonhos
Perdidos na madrugada vazia...
No resgate da memória
Só pesadelos medonhos.

Em meus delírios,
Inventei uma ponte,
Que levava ao horizonte
Onde a paz prometia...

Um jardim de devaneios,
Cultivado pelo anseio
De ver a vida florescer.

Quem sabe assim eu pudesse
Como milagre de uma prece
Sentir em mim o amanhecer...

domingo, 4 de agosto de 2013

Entretantos


ENTRETANTOS


Entre tantos sentimentos
Sutilmente revelados
Entre as linhas bem traçadas,
Outros mistérios encantam
Nos traços dos entretantos,
Das emoções confessadas.

Nesse passeio fascinante
Pelas metáforas de teu labirinto,
Perco-me em devaneios
Que atiçam meus instintos
Como droga alucinante...