PALAVRAS SINGULARES

São palavras jeitosas, formosas, inteiras.

Sem sentido, sem juízo, sem valor.

Faceiras, brejeiras, até corriqueiras.

Palavras intensas, carentes ou contentes.

Indecentes, inocentes, contingentes.

Trazem riso, pouco siso, alegoria.

Palavras de fé, de magia, de folia.

Fazem chorar, descontrolar e lamuriar.

Falam de amores, de dissabores,

exaltam as dores.

Palavras alegres, cintilantes, efusivas.

Verdadeiras, sorrateiras, benzedeiras.

Palavras que excitam, incitam, ousam sonhar.

Assim como falam, se calam.

Suplicam, replicam, explicam.

Palavras perdidas, inventadas...

De enfeite, deleite, um falsete.

Palavras tão belas, palavras de fera.

São palavras singulares,

São palavras de mim.

terça-feira, 10 de junho de 2014

Alma indomável



ALMA INDOMÁVEL




Pobre de ti, minh´alma indomável...

Desafia os limites do improvável,

prisioneira confessa das paixões.



Pobre de ti, criança selvagem...

Aliciada pelo trote da coragem,

sucumbe na teia das ilusões.



Pobre de mim, alma querida...

Tu, que de tanto amar nessa vida

esqueceste de meu coração.

sábado, 7 de junho de 2014

É doce sentir o mar



É DOCE SENTIR O MAR


O mar é generoso...
Mesmo com as águas
turbulentas, furiosas,
sempre traz entre as espumas,
esperanças pra navegar.

A dor não vem do mar.
Vem da terra rachada,
dos solos inférteis das almas secas,
incapazes de amar.

É doce sentir o mar...
Sobre as ondas que correm mundo,
velejam segredos e magia,
banhados de maresia,
oceano para encantar.

Sempre que olhar o mar,
fecha os olhos em oração,
deixa-se banhar...

Faz-se praia,
veste-se de humildade...
Com as bênçãos de Poseidon,
o barco do amor ,em teu regaço,
aportará.




terça-feira, 3 de junho de 2014

Arautos do amor



ARAUTOS DO AMOR

A noite é dos poetas...
Na negritude silenciosa,
emergem versos abafados,
poemas inacabados,
uma rima qualquer...
Sussurros que se esgueiram
pelos becos e vielas,
debruçam nas janelas,
embriagam-se nos bares,
espalham-se no ar
como perfume de mulher.
Poetas são arautos do amor...
Dançam ébrios na madrugada,
fazem de pergaminho a calçada,
desenham a giz sua dor.

domingo, 1 de junho de 2014

Alma sereia



ALMA SEREIA
Encantada e deleitada
a bordo dos devaneios,

perco-me entre sabores e sensações provocadas 
ao imaginar-me em teus braços,
provar teus beijos...
Sitiada por emoções,

desperta em mim uma alma sereia...
De meu peito poético,
ecoa um canto que atravessa os mares,
guiado pela lua nessa noite austral.
Embalados pelas ondas,
meus suspiros são errantes navegantes...
Imersos nas espumas,
desejos frementes almejam molhar
tua praia distante.