PALAVRAS SINGULARES

São palavras jeitosas, formosas, inteiras.

Sem sentido, sem juízo, sem valor.

Faceiras, brejeiras, até corriqueiras.

Palavras intensas, carentes ou contentes.

Indecentes, inocentes, contingentes.

Trazem riso, pouco siso, alegoria.

Palavras de fé, de magia, de folia.

Fazem chorar, descontrolar e lamuriar.

Falam de amores, de dissabores,

exaltam as dores.

Palavras alegres, cintilantes, efusivas.

Verdadeiras, sorrateiras, benzedeiras.

Palavras que excitam, incitam, ousam sonhar.

Assim como falam, se calam.

Suplicam, replicam, explicam.

Palavras perdidas, inventadas...

De enfeite, deleite, um falsete.

Palavras tão belas, palavras de fera.

São palavras singulares,

São palavras de mim.

terça-feira, 28 de junho de 2011

PÉROLAS DE RUBEM ALVES

"Não haverá borboletas se a vida não passar por longas e silenciosas metamorfoses."


"Será possível, então, um triunfo no amor? Sim. Mas ele não se encontra no final do caminho: não na partida, não na chegada, mas na travessia."


"Não é bastante ter ouvidos para ouvir o que é dito. É preciso também que hava silêncio dentro da alma. Daí a dificuldade..."


" As palavras só têm sentido se nos ajudam a ver o mundo melhor.
Aprendemos palavras para melhorar os olhos."



"Todo jardim começa com uma história de amor, antes que qualquer árvore seja plantada ou um lago construído é preciso que eles tenham nascido dentro da alma.
Quem não planta jardim por dentro, não planta jardins por fora e nem passeia por eles"



"Há muitas pessoas de visão perfeita que nada vêem...
O ato de ver não é coisa natural.
Precisa ser aprendido!"



"Todas as palavras tomadas literalmente são falsas. A verdade mora no silêncio que existe em volta das palavras. Prestar atenção ao que não foi dito, ler as entrelinhas. A atenção flutua: toca as palavras sem ser por elas enfeitiçada. Cuidado com a sedução da clareza! Cuidado com o engano do óbvio! "



sexta-feira, 17 de junho de 2011

SANTA CAMA


Cama onde faço amor
Cama onde passo a dor
Na cama o corpo relaxa
Na cama tudo se passa

A cama é um lugar sagrado
Recanto de amor e prazer
Nela quase não se fala
Quando há tanto a fazer

Na cama explode a paixão
Entre os travesseiros macios
Amantes perdem a razão
Parecem animais no cio

Cama símbolo da alcova
Pacto de cumplicidade
Nestas horas de prazer
Não há tempo ou idade

A outra faceta da cama
É aquela em que o corpo reclama
Desfalecido de dor

Cama branca de hospital
Cama fria e impessoal
Agonia e lamento
Só inspira sofrimento

Na cama o poeta compõe
Junto ao seio da amada
A noite doce lembrança
No frio da madrugada


Sozinho ou acompanhado
Na saúde ou doença
A cama é um santuário
Não importa nossa crença. 

(Betty Lucchesi)

quarta-feira, 15 de junho de 2011

UM POUCO DE VINICIUS

Como dizia o poeta 
Quem já passou por essa vida e não viveu 
Pode ser mais, mas sabe menos do que eu 
Porque a vida só se dá pra quem se deu
Pra quem amou, pra quem chorou, pra quem sofreu 
Ah, quem nunca curtiu uma paixão nunca vai ter nada, não 
Não há mal pior do que a descrença
Mesmo o amor que não compensa é melhor que a solidão 
Abre os teus braços, meu irmão, deixa cair
Pra que somar se a gente pode dividir 
Eu francamente já não quero nem saber 
De quem não vai porque tem medo de sofrer 
Ai de quem não rasga o coração, esse não vai ter perdão 
Quem nunca curtiu uma paixão, nunca vai ter nada, não



(Vinicius)

sábado, 11 de junho de 2011

NAMORE

Namore a vida !
Namore o dia !
Namore a sua paz !
Namore as suas escolhas !
Namore a sua casa !
Namore os sorrisos que te oferecem !
Namore os melhores olhares que vc já recebeu !
Namore seus filhos !
Namore seus sonhos !
Namore sua família !
Namore a sua consciência por aceitar cada momento e superá-lo !
Namore as artes !
Namore a natureza !
Namore o seu querer e o seu "bem querer" !
Namore o ato de AMAR !
Namore seu namorado e se não tiver um, namore o amor que existe dentro de vc independente a quem possa ou não estar na sua vida !
Olhe ao seu redor, busque pela reciprocidade, amadureça os seus relacionamentos e escolhas, VIVA EM AMOR !

sexta-feira, 10 de junho de 2011

AQUI NÃO TEM PRAÇA
Nonato Menezes


São casas gradeadas como jaulas de proteção do eu e do que é meu. As ruas, iluminadas para o nada, são espaços que deixaram de ser públicos. São frias de gente, espaços vazios de almas. Cidades feitas para abrigar cada qual em seu canto. Encaixotados, os habitantes das grandes cidades se isolam. Ao lado e acima.  É o desejo exacerbado de proteger-se do outro, como se o eu que busca refúgio nunca fosse o outro. Até parece que o ser humano deixou de ser, como que por encanto, um ser social. As cidades agora estão sendo projetadas de forma que o homem esteja a cada dia mais distante do outro homem.
Nas cidades, a praça foi sempre um espaço vital para a socialização.  Na Grécia de Sócrates e de Clístenes, foi na praça que as idéias eram discutidas e defendidas. Aquele espaço ao sol, ao ar livre e de livre acesso, servia para o debate público, para as tomadas de decisões. As discussões mais importantes para a sociedade aconteciam ali. Foi na praça que a democracia nasceu. Não foi a Grécia, foi a Ágora, o berço da democracia.
Na Idade Média européia, a praça fazia parte da vida íntima da cidade. A vida social, política, cultural e dos negócios, regra geral, acontecia nas praças. As pessoas e seus anseios convergiam para o centro da cidade, tomando a praça como seu principal ponto de referência. A praça sempre foi, pois, o palco da vida real. Uma cidade sem praça seria uma cidade morta. Período marcado pela forte presença da Igreja Católica, seus templos faziam parte necessária da vida nas praças. O que hoje usamos como a “Praça da Igreja”, correto seria, por sua origem, dizer “Igreja da Praça”.
Na modernidade, os grandes eventos, os estabelecimentos comerciais, bancários e templos religiosos ainda seguem a cultura de circundarem as praças. Mesmo nas grandes cidades, as praças são referências para a sociedade local. Mesmo aqueles eventos importantes para nossa História que ali não começaram se encerraram numa praça ou pelo menos ali foram discutidos e repensados. A História da Bastilha, por exemplo, não aconteceu apenas na rua. A ela a praça deu guarida e nome.
A importância das praças para a vida social é a História que nos revela, por sempre ter sido um lugar de encontro e humanização, talvez o mais democrático de todos. A praça é para amar, para sonhar, para brincar. Poucos locais deixam as crianças mais à vontade do que uma praça. O parque também é um espaço onde se brinca, mas lá, a brincadeira é cheia de regras, pois exige um comportamento padrão, dirigido pelos seus equipamentos que rotinizam a vida e vigiam as ações infantis.
É de se estranhar a urbanidade sem praças. A praça funciona como uma sala de estar de uma cidade. O espaço onde todos podem estar. É, pois, inaceitável uma cidade sem esse espaço público por excelência, criado para democratizar e que existe para humanizar. E não adianta criar “praças de alimentação”, pois estas praças não substituem aquelas, elas não animam a socialização, elas não são em sua essência um ambiente democrático. Juntar pessoas que nem se olham enquanto comem, seguindo um menu adequado a seu padrão social e afirmar, ainda assim, que estas pessoas estão numa praça é uma excrescência. Almoçar e jantar não cabem como atividades num ambiente que foi criado por outras razões e existe ainda hoje pelos mesmos motivos que lhe deram origem. A praça de alimentação nos shoppings – “o LSD da classe média” – é uma forçada de barra que só coaduna com o tudo por lucro. Não pode ser chamado de praça um lugar criado para aglomerar e acomodar consumidores e trabalhadores que apesar de estarem perto não estão comungando nenhum pensamento, nenhum sonho. É um lugar em que até o sorriso é estreito.
As grandes cidades brasileiras têm suas praças, todas no modelo tradicional do espaço público. Famosas, cantadas em versos e prosas que permitem até mesmo quem nunca esteve lá, conhecê-las. Quem pode, por exemplo, não lembrar da Praça Onze? “Praça Onze tão querida/do carnaval à própria vida”. Na voz de Dalva de Oliveira, estes versos revelam na beleza da arte a importância da praça que para muitos ajuda a pacificar os corações.
São Paulo, vítima do progresso e exausta dos negócios, conserva seus espaços públicos e os mantém como pontos de referência. Praça da Sé/Praça da Sé/Hoje você é/Madame Estação Sé, é o canto de Adoniran Barbosa que denuncia o avanço dos edifícios e a inconveniência do barulho.
A praça que acolhia e alegrava hoje é o vazio que entristece. Outrora a “praça do povo”, motivo de poesia e música, acolhe hoje desabrigados, sem teto e sem sonhos. A praça que o carnaval consagrou na voz de Caetano (A Praça Castro Alves é do povo/ Como o céu é do avião/ Um frevo novo/ Todo mundo na praça/ Muita gente sem graça no salão) foi um dos lugares onde se pensou a Bahia. Espaço onde se cantou alegria. Rodeada de cafés, bares, comércio, a Castro Alves foi palco de vida que proporcionou a Salvador ser conhecida do mundo. Como em tantas outras, na Praça Castro Alves se fez História. Continua imponente, mas hoje clama por cuidado e atenção.
“Mas o cara ainda anda dizendo/que agora fez um “negocião”/Comprou o Ver-o-Peso, a Praça do Ferreiro e o Luar do Sertão.” Aqui Ismael Carlos é quem canta a praça em sua composição “O otário”. Ao denunciar o avanço do mercado sobre todas as coisas, o cantor vê o quanto o ato de comprar e vender tende a nivelar tudo. Assim, a praça, lugar de sonhos e de convivência, passa a ter a mesma importância e sentido que há num produto exposto na prateleira do negócio da esquina.
Brasília, filha de Dom Bosco, feita para o Poder, cidade das linhas sinuosas de sua imponente arquiteruta, dos seus espaços vazios, das curvas que anunciaram a modernidade de suas obras ao País, sem ruas e sem avenidas, fez das praças sua maior ausência. Brasília conseguiu caricaturar as praças. As que existem, no dia-a-dia são vazias de gente, por isso só exalam a frieza do concreto. São praças que não são praças.
A Praça dos Três Poderes, a mais famosa delas  é vazia de gente, tem vida vegetal, onde o animal homem só  se faz presente quando faz parte de multidões. Multidões movidas por protestos, compostas por pessoas de bandeiras em punho e gritos na garganta. Ela não é uma praça como espaço público. Nem banco lá existe para acolher quem ali  gostaria de assentar-se para pensar, para compartilhar pensamentos ou simplesmente, para sonhar. Nossos parlamentares poderiam, para suprir a carência da famosa Praça dos Três Poderes, criar rotina de sairem dos gabinetes e dos plenários – com galerias isoladas por vitrais – ir à praça para conversar com o público, ouvir seus clamores, seus rancores e suas dores.
A outra praça famosa de Brasília, a Praça do Buriti, carrega o estigma de espaço vazio na capital Federal. Foi criada também para eventos exporádicos, de manifestações reivindicatórias e de protestos. Levou esse nome por ali ter um dia nascido uma palmeira cujo nome era buriti, que de tanto ficar sozinha não resistiu a solidão e morreu.
Aqui em Brasília não há uma praça como microcosmo urbano, que atraia as pessoas para se embrenharem nos mistérios do mundo, nos desejos e nos sonhos, nas conversas do cotidiano, nas amenidades da vida.
Falta praça para animar a cidade, para envolver as crianças, para acalentar os idosos e motivá-los a sair de suas casas gradeadas, de seus condomínios vigiados, da companhia forçada da televisão.
Setores habitacionais inteiros sem uma praça não é um prenúncio de segurança, de beleza estética, de referência da urbanidade, dos encantos que as cidades precisam ter. São setores habitacionais frios, com violência crescente e insegurança latente.
Sem praças busca-se o lazer forçado dos shoppings que nada mais são que ambientes criados para o consumo, e que retira das pessoas a espontaneidade, engendrando cada um num mundo irreal, de fantasias que não alimentam a alma, de uma dinâmica árida de sentido de vida, de ausência de calor humano, sem a aura que faz brotar o encanto entre o Um e o Outro. O shopping é o ambiente de acertos nos balcões de vendas ou do saciar-se nos bancos das praças de alimentação. Os encontros que ali existem, são apenas encontros de bolsos e de barrigas.
Brasília se entregou aos shoppings, à impessoalidade, ao ritmo frenético e interesseiro do consumo. Desprezou, na sua arquitetura de moradia, projetos de praças, de ambientes de encontros desobrigados, de espaços para o não produzir, para o não consumir.
Empresários, arquitetos, engenheiros e pessoas do poder político daqui esqueceram-se de que a praça é necessária ao viver humano. Esqueceram-se de que nela a humanização ocorre e a socialização acontece. Esqueceram-se também, de que na praça o individualismo não prolifera, pois a praça ajuda a apaziguar os ânimos e alimentar o espírito público.

quinta-feira, 9 de junho de 2011

SE ESCOLA FOSSE ESTÁDIO E EDUCAÇÃO FOSSE COPA

Jorge Portugal

Passei, nesses últimos dias, meu olhar pelo noticiário nacional e não dá outra: copa do mundo, construção de estádios, ampliação de aeroportos, modernização dos meios de transportes, um frenesi em torno do tema que domina mentes e corações de dez entre dez brasileiros.

Há semanas, o todo-poderoso do futebol mundial ousou desconfiar de nossa capacidade de entregar o “circo da copa” em tempo hábil para a realização do evento, e deve ter recebido pancada de todos os lados pois, imediatamente, retratou-se e até elogiou publicamente o ritmo das obras.
Fiquei pensando: já imaginaram se um terço desse vigor cívico-esportivo fosse canalizado para melhorar nosso ensino público? É… pois se todo mundo acha que reside aí nossa falha fundamental, nosso pecado social de fundo, que compromete todo o futuro e a própria sustentabilidade de nossa condição de BRIC, por que não um esforço nacional pela educação pública de qualidade igual ao que despendemos para preparar a Copa do Mundo?
E olhe que nem precisaria ser tanto! Lembrei-me, incontinenti, que o educador Cristovam Buarque, ex-ministro da Educação e hoje senador da República, encaminhou ao Senado dois projetos com o condão de fazer as coisas nessa área ganharem velocidade de lebre: um deles prevê simplesmente a federalização do ensino público, ou seja, nosso ensino básico passaria a ser responsabilidade da União, com professores, coordenadores e corpo administrativo tendo seus planos de carreira e recebendo salários compatíveis com os de funcionários do Banco do Brasil ou da Caixa Econômica Federal. Que tal? Não é valorizar essa classe estratégica ao nosso crescimento o desejo de todos que amamos o Brasil? O projeto está lá… parado, quieto, na gaveta de algum relator.
O outro projeto, do mesmo Cristovam, é uma verdadeira “bomba do bem”. Leiam com atenção: ele, o projeto, prevê que “daqui a sete anos, todos os detentores de cargo público, do vereador ao presidente da República serão obrigados a matricular seus filhos na rede pública de ensino”. E então? Já imaginaram o esforço que deputados (estaduais e federais), senadores e governadores não fariam para melhorar nossas escolas, sabendo que seus filhos, netos, iriam estudar nelas daqui a sete anos? Pois bem, esse projeto está adormecido na gaveta do senador Antônio Carlos Valladares, de Sergipe, seu relator. E não anda. E ninguém sabe dele.


Poetizando você 
(Betty Lucchesi)
 
Eu queria fazer poesia,
Mas a métrica me falta.
Resolvi poetizar você....
Falar de teus olhos é mergulhar nas profundezas de um rio, misterioso...
Teu semblante é como um luar estrelado, iluminando as noites do sertão.
E o sorriso... teu sorriso é como o sol irradiando beleza  e alegria nos  dias de verão.
Tens um cheiro de mato verde, madeira nobre ou fruta cítrica.
Teu hálito é como a brisa quente, envolvendo os campos nas tardes de primavera.
Teu beijo é turbilhão, tem a força do mar, que engole em maremoto.
Sentir teu abraço é sentir-se em casa. Aconchego e segurança.
Teu desejo é como chuva forte, que inunda e encharca.
Tuas mãos lembram vinho gostoso, que envolve e inebria.
Tua paixão é como o fogo, arde, queima e consome, lentamente.
Teu saber é fonte abundante, saciando a sede e alimentando a alma.
Desvendar teu corpo é percorrer as geografias desconhecidas, imprevisíveis e encantadoras.
E o teu amor....
Aqui me faltam as palavras, porque toda a beleza do mundo seria pouco para comparar.