PALAVRAS SINGULARES

São palavras jeitosas, formosas, inteiras.

Sem sentido, sem juízo, sem valor.

Faceiras, brejeiras, até corriqueiras.

Palavras intensas, carentes ou contentes.

Indecentes, inocentes, contingentes.

Trazem riso, pouco siso, alegoria.

Palavras de fé, de magia, de folia.

Fazem chorar, descontrolar e lamuriar.

Falam de amores, de dissabores,

exaltam as dores.

Palavras alegres, cintilantes, efusivas.

Verdadeiras, sorrateiras, benzedeiras.

Palavras que excitam, incitam, ousam sonhar.

Assim como falam, se calam.

Suplicam, replicam, explicam.

Palavras perdidas, inventadas...

De enfeite, deleite, um falsete.

Palavras tão belas, palavras de fera.

São palavras singulares,

São palavras de mim.

domingo, 9 de março de 2014

Novas Rimas



NOVAS RIMAS

Cansei de rimar amor com dor
Rabiscar pergaminhos de incertezas
Vestir meus versos de saudade
Usar metáforas de infelicidade
Seguir aforismos da tristeza

Abro as janelas da solidão
Estendo um tapete de flores no chão
Vou forrar a cama com alegria
Deitar e rolar na maciez da poesia

Decidi mudar o tom do verbo
Reescrever meus dias com pincel e giz
Fazer do tempo um aliado e servo
Meu mote agora é viver feliz
No

quarta-feira, 26 de fevereiro de 2014

Coração folião



CORAÇÃO FOLIÃO



Mais um carnaval bate à porta,

tocando bumbo e cuíca.

Meu coração vadio dança todo prosa...

Pinta os lábios, afina a bateria,

Veste-se de Pierrot  e cai na folia,

sem medo.

Nem se lembra das cinzas passadas,

quando seu amor destruído,

virou samba enredo.





segunda-feira, 24 de fevereiro de 2014

Reviravolta


REVIRAVOLTA

Ainda lembro do último carnaval...
Rasgou meus sentimentos como se fossem serpentinas,
espalhando meus sonhos como confetes pelo chão.
Abandonou-me no salão, destruiu meu camarim,
fez chorar minha bateria, deixou surdo o tamborim.
Na ressaca de cinzas, embriagada de amargura,
afundei-me na desilusão.
Aliada do tempo, sacudi a poeira e voltei pra folia...
Catei os retalhos e refiz minha fantasia.
Meu amor desfilou em outra passarela,
belo e sorridente, nota dez em harmonia.
Troquei o bloco da saudade,
vi minha escola ganhar na apoteose da felicidade.
Sentada de camarote, lamentei ao lhe ver passar...
Parada no grupo de acesso, sua vida desandou.
Sem brilho e alegorias, pecou na evolução.
Seu samba desafinou, na ala da solidão.






quinta-feira, 20 de fevereiro de 2014

Já fui tarde



JÁ FUI TARDE

Sobre a ponte de sua indecisão
tracei minhas pegadas...
Abandonei a solidão.

Com passos acelerados,
tropecei em duras pedras...
Peito e pés, maltratados.

Cansada de suas metades,
cruzei sem medos,
os portais da liberdade.

Alada de amor próprio,
esvaziei-me de você...

Sem motivos pra saudade,
voei sem olhar pra trás,
certa de que já fui tarde.

sábado, 15 de fevereiro de 2014

Trova



Sou como um livro aberto
Mas nem todos sabem ler
Um oásis no deserto
Sempre posso surpreender