PALAVRAS SINGULARES

São palavras jeitosas, formosas, inteiras.

Sem sentido, sem juízo, sem valor.

Faceiras, brejeiras, até corriqueiras.

Palavras intensas, carentes ou contentes.

Indecentes, inocentes, contingentes.

Trazem riso, pouco siso, alegoria.

Palavras de fé, de magia, de folia.

Fazem chorar, descontrolar e lamuriar.

Falam de amores, de dissabores,

exaltam as dores.

Palavras alegres, cintilantes, efusivas.

Verdadeiras, sorrateiras, benzedeiras.

Palavras que excitam, incitam, ousam sonhar.

Assim como falam, se calam.

Suplicam, replicam, explicam.

Palavras perdidas, inventadas...

De enfeite, deleite, um falsete.

Palavras tão belas, palavras de fera.

São palavras singulares,

São palavras de mim.

domingo, 10 de fevereiro de 2013

DESEJO IRRECUSÁVEL


DESEJO IRRECUSÁVEL



De  súbito,
percebo teu olhar
guloso,
repousado entre
as fendas de meu
decote
Meus seios,
antes acomodados
sob a suavidade
do tecido, 
em estado de alerta
tentam se proteger,
em vão...
Diante da
intensidade
da cobiça,
reagem...
Arrebitam-se,
denunciando a
impotência da
recusa 
Incapaz de
renunciar  ao desejo,
o corpo sucumbe...
O prazer,
quase num sussurro,
escorre viscoso
entre as valas
encharcadas...




Um comentário:

  1. Novamente o poema vai de encontro à foto: tudo em sincronia. Parabéns!

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