PALAVRAS SINGULARES

São palavras jeitosas, formosas, inteiras.

Sem sentido, sem juízo, sem valor.

Faceiras, brejeiras, até corriqueiras.

Palavras intensas, carentes ou contentes.

Indecentes, inocentes, contingentes.

Trazem riso, pouco siso, alegoria.

Palavras de fé, de magia, de folia.

Fazem chorar, descontrolar e lamuriar.

Falam de amores, de dissabores,

exaltam as dores.

Palavras alegres, cintilantes, efusivas.

Verdadeiras, sorrateiras, benzedeiras.

Palavras que excitam, incitam, ousam sonhar.

Assim como falam, se calam.

Suplicam, replicam, explicam.

Palavras perdidas, inventadas...

De enfeite, deleite, um falsete.

Palavras tão belas, palavras de fera.

São palavras singulares,

São palavras de mim.

domingo, 10 de fevereiro de 2013

SOU TODA



SOU TODA...
Te espero ansiosa,
sou toda saudade
Te quero aflito,
sou toda vontades
Te abraço amorosa,
sou toda paixão
Te beijo ardente,
sou toda volúpia
Te aqueço inteiro,
sou  fogueira acesa
 Te envolvo em mim,
sou ninho perfumado
Te atiço a fome,
sou toda deleite
Te enlaço entre as pernas,
sou toda desejos
Te abrigo nas teias,
sou toda cobiça
Te encharco o corpo,
sou toda dilúvio
em lavas, um Vesúvio...
Te farto e lambuzo,
sou toda abundância
Te levo pro céu,
sou lua inteira
Te mato de gozo,
sou toda prazer
Te faço meu homem,

sou tua mulher...

 

DESEJO IRRECUSÁVEL


DESEJO IRRECUSÁVEL



De  súbito,
percebo teu olhar
guloso,
repousado entre
as fendas de meu
decote
Meus seios,
antes acomodados
sob a suavidade
do tecido, 
em estado de alerta
tentam se proteger,
em vão...
Diante da
intensidade
da cobiça,
reagem...
Arrebitam-se,
denunciando a
impotência da
recusa 
Incapaz de
renunciar  ao desejo,
o corpo sucumbe...
O prazer,
quase num sussurro,
escorre viscoso
entre as valas
encharcadas...




sábado, 9 de fevereiro de 2013

SINTA-ME EM DEVANEIOS

SINTA-ME... / EM DEVANEIOS

Sou todas desejos
     antes jamais sonhados...
Passeando sobre você sem pressa,
     a percorrer uma volta sem igual
com minha língua macia
     e sensual, sem vergonha,
deslizando feito uma bailarina
     desnuda, tesuda,
lambendo cada parte, suavemente
     e sem  pudor, com ardor
te molhando, sentindo teu gosto
     a beber teu sêmen,
enquanto teus lábios,
     em harmonia com seu membro,
emitem gemidos lascivos
     a traduzir coisas de amor
que me excitam e incentivam a continuar
     despudoradamente...
Percorrendo teus atalhos
     com tuas bolas inchadas
de macho viril,
     vou seguindo meus instintos e
até encontrar teu sexo em riste
     prossigo com sofreguidão
latejando
     até gozar
e envolvê-lo com minha boca gulosa
     como em completo desvario...
Ali me demorar uma eternidade
     que se acaba com seu jorro



Beth Lucchesi & Johnny Ledmore







Leia Johnny Ledmore em Estórias Eróticas:

http://migre.me/dbmUk







  



 




sexta-feira, 8 de fevereiro de 2013

FANTASIA

 FANTASIA

Numa passarela de versos
Bordados de alegorias
Desfilam minhas fantasias

Nesse bloco da poesia
brinca o sonho folião
No ritmo do coração

Entre confetes de rimas
Invento meu carnaval
Alheia à vida real

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013

DESEJOS ARDENTES


 DESEJOS ARDENTES

Nas profundezas misteriosas
de águas abissais,
entre pedras, areias e corais
navegam desejos urgentes...


Como lavas vulcânicas,
rolam nas escarpas do corpo,
queimando as ranhuras
da planície carnal,
deixando em seu rastro
marcas e perfumes...

Insuflados pelo calor
abrasador, os instintos
pressionam os portais
desse inferno de Dante
e a volúpia escorre,
como arrebentação...

Emoções fluidas
escorrem ao longo das
macias falésias e
desaguam abundantes
na bacia térmica,
oásis do amor...

Vesúvio adormecido
mas não extinto,
ainda mantém seu calor
e um cheiro gostoso
de essências e vinho.

SEM OPÇÃO


SEM OPÇÃO


Amar ou não amar
Será essa a questão?
Triste de quem crê
Na doce ilusão
De pensar que é dono 
Da situação
O amor não nos dá
Nenhuma opção
Porque ele, o amor
É avesso à razão
Chega sem avisar
Jamais pede permissão
Apodera-se sem pena
Do vazio coração
Fugir do amor
É cair num abismo
Sem proteção
Lutar contra o amor
É lavrar a condenação
Amar ao amor
Sem medo e sem culpa
Eis nossa redenção.



domingo, 3 de fevereiro de 2013

LUA NUA

Only Time by Enya on Grooveshark


LUA NUA

 
Quisera ser uma lua
nua,
toda cheia de amor...
Suavemente esgueirar-me
entre as frestas de tua janela
e deitar em teu leito...

Envolver tua nudez
em afetos,
preencher teus vazios,
fazê-lo esquecer das dores
que a ausência acentua...

Cavalgar em teus sonhos,
afagar-te o peito,
beijar teu sexo
navegar em teu mar...
                     
Espalhar-me em tua
pele crua,
banhar-te com raios
de amor...
Aquecer teus anseios,
espantar a solidão

Lamber-te as feridas,
saciar teus desejos
molhar-te com o
lenitivo do prazer...

Embalar-te em
aconchego,
ninar os teus medos
devolver-te a paz
que o amor traz

Enfim,
quando o sol mandar recados
nos raios da aurora,
recolher-me ao firmamento,
minguar a angústia
de teu coração...

Deixar em teu travesseiro
um cheiro de esperança
como recordação.




Inspirado no poema "Meu Leito" do poeta Dado: