PALAVRAS SINGULARES

São palavras jeitosas, formosas, inteiras.

Sem sentido, sem juízo, sem valor.

Faceiras, brejeiras, até corriqueiras.

Palavras intensas, carentes ou contentes.

Indecentes, inocentes, contingentes.

Trazem riso, pouco siso, alegoria.

Palavras de fé, de magia, de folia.

Fazem chorar, descontrolar e lamuriar.

Falam de amores, de dissabores,

exaltam as dores.

Palavras alegres, cintilantes, efusivas.

Verdadeiras, sorrateiras, benzedeiras.

Palavras que excitam, incitam, ousam sonhar.

Assim como falam, se calam.

Suplicam, replicam, explicam.

Palavras perdidas, inventadas...

De enfeite, deleite, um falsete.

Palavras tão belas, palavras de fera.

São palavras singulares,

São palavras de mim.

quarta-feira, 28 de maio de 2014

Frisson




FRISSON

Os versos exibiam-se assim,
lascivos...
Lamberam sua timidez.
Metáforas sedutoras,
esfregaram-se em seu corpo,
vencendo as defesas.
Como afagos libidinosos,
palavras quentes queimaram-lhe
a carne trêmula...
Num frisson apoteótico,
uma última rima
invadiu seus meios e
arrematou-lhe um gozo
na estrofe final.

domingo, 25 de maio de 2014

Afagos de Poesia



AFAGOS DE POESIA

Ali, num pedaço esquecido do mundo,
tão azul à beira mar,
corri os olhos pelas falésias da alma,
esculpidas pela erosão de emoções...
Juntei pedacinhos de sonhos
esquecidos,
punhados de fantasias...
Ali, nos montes de areia branquinha,
depositei versos virados pro sol,
com cheiro de maresia.
Ali, como um sopro de Netuno,
distrai a solidão com
afagos de poesia.

sábado, 24 de maio de 2014

Amor Barato



AMOR BARATO

Amor, moeda de troca,
no mercado do prazer...
Essência que se perdeu
entre as valas de corpos
famintos,
esvaiu-se por entre as dobras
dos lençóis amassados
que forram alcovas
improvisadas...
A melodia dedilhada no silêncio
pelos afagos do olhar,
arranhou-se pelo ruído de gemidos
lascivos entoados nas cordas da
luxúria.
Seu aroma antes tão doce,
avinagrou-se...
Derrama-se em encontros fugazes,
Onde exala misturado ao
odor acre do cio...

domingo, 18 de maio de 2014

Amar não é escolha



AMAR NÃO É ESCOLHA



No amor não cabem arrependimentos. Amar não é uma questão de escolha; acontece à nossa revelia. Logo, é irrelevante afirmar que há arrependimento em ter se apaixonado por alguém.

Ninguém escolhe a quem amar; seria maravilhoso se pudéssemos. Será?

Penso que não. A vida seria muito óbvia, os relacionamentos muito sistemáticos e previsíveis.

Não acredito que exista a pessoa certa e o coração sabe disso.

Ele não avalia, não analisa, não pondera. Ele “reconhece” aquele que o faz pulsar, aquele que descobre as senhas que abrem suas portas, aquele que acende o sol dentro de si.

A nós, só nos resta amar e amar, pois todo amor é eterno enquanto dura.

Se amanhã já não houver, o que foi vivido jamais se apagará.

Teremos cumprido nossa sina e justificado nossa existência, no amor.