PALAVRAS SINGULARES

São palavras jeitosas, formosas, inteiras.

Sem sentido, sem juízo, sem valor.

Faceiras, brejeiras, até corriqueiras.

Palavras intensas, carentes ou contentes.

Indecentes, inocentes, contingentes.

Trazem riso, pouco siso, alegoria.

Palavras de fé, de magia, de folia.

Fazem chorar, descontrolar e lamuriar.

Falam de amores, de dissabores,

exaltam as dores.

Palavras alegres, cintilantes, efusivas.

Verdadeiras, sorrateiras, benzedeiras.

Palavras que excitam, incitam, ousam sonhar.

Assim como falam, se calam.

Suplicam, replicam, explicam.

Palavras perdidas, inventadas...

De enfeite, deleite, um falsete.

Palavras tão belas, palavras de fera.

São palavras singulares,

São palavras de mim.

quinta-feira, 11 de setembro de 2014

Quintessência do amor




QUINTESSÊNCIA DO AMOR

Um sentimento...
Poesia dedilhada em instrumento suave,
acordes em diapasão.
Sussurrada no refúgio do abraço querido,
aspirando ao aroma dos desejos...
Palavra parida no aconchego do ventre,
alma em profusão...
A vida inteira num momento,
quintessência do amor...

terça-feira, 9 de setembro de 2014

O labor da poesia



O LABOR DA POESIA

Descanso é labor
Para a alma poeta
Que verseja com ardor

De verão a verão
Respira o silêncio,
Ar fresco de inspiração

Alimenta-se de sonhos,
Palavra é poesia...
Na calada da noite,
No portal do dia.

Assim vive o poeta,
Rabiscando com a pena...
De preguiça em preguiça,
Inventando poema.


quinta-feira, 4 de setembro de 2014

Nas asas dos teus lábios



NAS ASAS DOS TEUS LÁBIOS
   (Um poema para Beth Lucchesi)

Nas asas dos teus lábios,
o vento deitou canções
sincopadas
como beijos,
quebrando o fio
Do silêncio
em ritmados
assovios.

Perfume de afeto,
em seus olhos
farejo...
Meu coração
sem fronteiras,
é um retalho de viola,
fuxico  de agulhas ligeiras,
rendilhado de amor proibido.

Luz do desejo cintila,
refletindo nossa paixão...
Vaga no ar,
o aroma de relva
e de estrelas,
buquê de fino vinho
que o amor destila...

Nosso destino,
um porto,
ou qualquer
precipício...


José Carlos de Souza

terça-feira, 2 de setembro de 2014

Cárdio poeta



CÁRDIO POETA

Uma arrebentação de emoções
rompem os gradis da alma,
jorram sem pudores nos versos...
Estandarte rendilhado de poesia,
flameja nos píncaros da solidão,
acena que há vida pulsante
nos desertos do coração.

Poesia preguiçosa



POESIA PREGUIÇOSA

Quando nada me resta
pra fazer nesse dia,
permito-me espreguiçar...

No embalo da rede,
o além mar como tela
o rei sol a inspirar...

Entregue ao deleite nessa hora ociosa,
rabisco assim uma poesia preguiçosa...