PALAVRAS SINGULARES

São palavras jeitosas, formosas, inteiras.

Sem sentido, sem juízo, sem valor.

Faceiras, brejeiras, até corriqueiras.

Palavras intensas, carentes ou contentes.

Indecentes, inocentes, contingentes.

Trazem riso, pouco siso, alegoria.

Palavras de fé, de magia, de folia.

Fazem chorar, descontrolar e lamuriar.

Falam de amores, de dissabores,

exaltam as dores.

Palavras alegres, cintilantes, efusivas.

Verdadeiras, sorrateiras, benzedeiras.

Palavras que excitam, incitam, ousam sonhar.

Assim como falam, se calam.

Suplicam, replicam, explicam.

Palavras perdidas, inventadas...

De enfeite, deleite, um falsete.

Palavras tão belas, palavras de fera.

São palavras singulares,

São palavras de mim.

domingo, 8 de dezembro de 2013

Tombo e poesia

TOMBO E POESIA
 Outro dia um amigo me contou que com o tempo chuvoso, o chão da rua onde costuma passar estava cheio de folhas e muito escorregadio, o que provocou um tremendo tombo.
Lembrando-me do velho Drummond, respondi:
Sempre haverá folhas e pedras em nosso caminho; podemos fazer das pedras alicerces e das folhas belos arranjos.
Como os tombos são inevitáveis, ainda nos resta fazer poesia.

Passado indigesto

PASSADO INDIGESTO

O tempo assiste você pateticamente ruminar
lembranças indigestas do passado,
enquanto regurgita frustrações,
azedando o presente...
Rejeita o futuro que se oferece
como um banquete e
devora as migalhas espalhadas
sobre a mesa da solidão...

Essas migalhas não alimentam
nem preenchem seus vazios.
A fome é outra...
Diante do prato insosso,
sua alma adoece,
os sonhos padecem,
a vida definha na amargura
até morrer de inanição.


sexta-feira, 6 de dezembro de 2013

Retrovisor


RETROVISOR
 
O que dói não é o fim...

Quando na verdade nunca houve começo,

apenas a ilusão de quem amou sozinho.

 

O que dilacera a alma é ser fulminado

pelos raios de indiferença fosca

lançados por um olhar de vidraça.

 

Por fim,

já não há pranto nem desencanto.

Só marcas na estrada vistas

pelo espelho embaçado

do retrovisor...

sábado, 30 de novembro de 2013

Ilusões Naufragadas



ILUSÕES NAUFRAGADAS


Desfeitas as ilusões,
a alma agoniza e sucumbe,
desarvorada...

O peito se debate,
submerso no salobro das lágrimas,
naufragado de amor...

No vão da mórbida solidão,
a razão eclode como um grito surdo
e tripudia...

Entre as densas brumas
que escurecem o brusco despertar,
a vida segue trôpega...

Uma azáfama desesperada
de encontrar a panacéia
para as chagas que sangram...

sexta-feira, 22 de novembro de 2013

Midas

(They Long To Be) Close To You by Richard Clayderman on Grooveshark


MIDAS
Trazes nas mãos a suavidade da pena
e a força que sustenta.
No toque que contagia, calor que abrasa.
És capaz de acariciar estrelas e bolinar a lua.
Tua presença irradia luz que acalma,
sopra brisa de felicidade...
Nas pontas dos dedos,
desenhas atalhos sobre meu corpo,
linhas que margeiam as planícies e
conduzem ao vale do prazer.
Acordes de uma melodia harmoniosa
e bela deslizam nas cordas que
dedilhas...
Ouvir-te é repousar nos campos
do Nirvana...
Quando tocas,
fazes brotar o melhor de tudo...
Tuas digitais são sementes férteis,
frutos florescem e o amor acontece.

quarta-feira, 20 de novembro de 2013

Cacos



CACOS

Sentimentos devastados,
soltos, jogados ao vento...
Dores fomentadas,
lágrimas desperdiçadas,
vida perdida no tempo...
Sonhos ceifados,
passos sem rumo, ao léu,
caminhos sem chão e sem
céu...
Pelas trilhas das decepções,
a alma aprisionada fica à mercê.
Diante da indiferença,
de quem faz do amor um jogo,
uma luta inglória assina a sentença...
Na tentativa vã de salvar
 o que não já não tem valor,
quem fica despedaçado é você.