PALAVRAS SINGULARES
São palavras jeitosas, formosas, inteiras.
Sem sentido, sem juízo, sem valor.
Faceiras, brejeiras, até corriqueiras.
Palavras intensas, carentes ou contentes.
Indecentes, inocentes, contingentes.
Trazem riso, pouco siso, alegoria.
Palavras de fé, de magia, de folia.
Fazem chorar, descontrolar e lamuriar.
Falam de amores, de dissabores,
exaltam as dores.
Palavras alegres, cintilantes, efusivas.
Verdadeiras, sorrateiras, benzedeiras.
Palavras que excitam, incitam, ousam sonhar.
Assim como falam, se calam.
Suplicam, replicam, explicam.
Palavras perdidas, inventadas...
De enfeite, deleite, um falsete.
Palavras tão belas, palavras de fera.
São palavras singulares,
São palavras de mim.
sábado, 12 de abril de 2014
sábado, 5 de abril de 2014
Elucubrações
ELUCUBRAÇÕES
Essa
mistura toda de luz e cores
engarrafada
nas retinas,
muda
a paisagem da alma...
O
peito vira mar,
sonhos
esparramados na areia
da
solidão,
banham-se
nas espumas
da
lembrança...
O
tempo estanca,
a
saudade é criança,
viver,
mera ilusão.
sexta-feira, 28 de março de 2014
Esfinge
ESFINGE
Se quiser me
conhecer, leia-me...
Mas não procure
nas palavras explícitas,
aquelas esparramadas sobre o papel.
Tampouco
naquelas extensas, coerentes...
Não me
encontrará no óbvio.
Remexa nos
detalhes, nas gavetas das ideias.
Busca-me naquele
verso torto, nas rimas desencontradas,
no emaranhado das
letras...
Sou aquilo que
se esconde na encosta das palavras,
que desliza
entre as linhas, brota do ventre da
metáfora.
Aquilo que sopra
sutilmente da intenção.
Estou espremida entre
a vírgula e o ponto final,
disfarçada nas
dobras do parágrafo,
quem sabe nas reticências...
Não me leia como
se fosse um jornal, cuja notícia vem
estampada em manchete.
Leia-me como se
estivesse num bar, preparando-se para um trago.
Não leia com os
olhos; antes, com o paladar.
Sorva-me com o
olhar...
Sinta-me
escorrer pela garganta da retina.
Se ao final do
trago, seu paladar continuar insosso,
sua alma
espreguiçada na indiferença; se sua curiosidade
não foi aguçada,
creia-me...
Eu não fui decifrada.
quinta-feira, 27 de março de 2014
Entrelinhas
ENTRELINHAS
O verso entra em reverso,
provoca comoção...
espalha-se num alvoroço,
desliga os fios razão.
Sob as vestes da poesia,
que traz no bojo ousadia,
se esconde um prazer que seduz...
Encanta, arrepia, amolece
e alicia.
A intenção é cela sem grades,
aprisiona as vontades,
desmonta a sensatez...
Revela a preferência,
corrompe a inocência,
pecado sem nudez.
domingo, 23 de março de 2014
Romaria
ROMARIA
Sigo-te entre as trilhas da distância...
Visito teus altares, recito rosários,
recantos de música e poesia.
Nas sendas da memória,
percorro caminhos sagrados,
movida por esse amor,
em fervorosa devoção.
Estás tão inacessível...
Rotas íngremes circundam
o santuário onde te recolheste
de mim.
Perco as horas, esqueço-me do tempo.
E assim, a noite atravessa o dia...
Despida de orgulho, saudade no peito,
acalento os sonhos, peregrina solitária
no vagão dessa romaria.
Ocaso
OCASO
Na imensidão do silêncio absurdo,
tudo o que se ouvia era a voz do
mar...
Suas marolas beiravam a areia,
contavam estórias de sereia,
segredos roubados de lá.
E na tela do infinito,
raios fulguravam no céu...
O sol já se despedia,
deixando enciumado o dia,
a saudade jogada ao léu.
Seguindo o compasso do tempo,
muito em breve no firmamento,
outra estrela estaria a brilhar.
terça-feira, 18 de março de 2014
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