PALAVRAS SINGULARES

São palavras jeitosas, formosas, inteiras.

Sem sentido, sem juízo, sem valor.

Faceiras, brejeiras, até corriqueiras.

Palavras intensas, carentes ou contentes.

Indecentes, inocentes, contingentes.

Trazem riso, pouco siso, alegoria.

Palavras de fé, de magia, de folia.

Fazem chorar, descontrolar e lamuriar.

Falam de amores, de dissabores,

exaltam as dores.

Palavras alegres, cintilantes, efusivas.

Verdadeiras, sorrateiras, benzedeiras.

Palavras que excitam, incitam, ousam sonhar.

Assim como falam, se calam.

Suplicam, replicam, explicam.

Palavras perdidas, inventadas...

De enfeite, deleite, um falsete.

Palavras tão belas, palavras de fera.

São palavras singulares,

São palavras de mim.

domingo, 15 de dezembro de 2013

Sem rumo



SEM RUMO

Quando o sentimento é descuidado,
abandonado à própria sorte,
perde-se em descaminhos...
Lançado na fogueira do descaso,
arde nas chamas da indiferença,
 se consome lentamente...
Cegos entre as labaredas da
 incompetência,
sucumbimos sufocados pela fumaça  e
 ao final nos transformamos
em restos  de madeira queimada,
 espalhando cinzas pelo chão
 da solidão.

sexta-feira, 13 de dezembro de 2013

quarta-feira, 11 de dezembro de 2013

O Peso das horas



O PESO DAS HORAS



Na angústia da espera,
o tempo estanca...
Presos no vazio da ausência,
ponteiros morosos arrastam-se
com ar de pouco caso...
Embalada pelo tic-tac,
a saudade  se demora.
Com o relógio pendurado 
no aposentodas emoções
 desarrumadas,
nem o prego na parede,
suporta o peso das horas.


domingo, 8 de dezembro de 2013

Tombo e poesia

TOMBO E POESIA
 Outro dia um amigo me contou que com o tempo chuvoso, o chão da rua onde costuma passar estava cheio de folhas e muito escorregadio, o que provocou um tremendo tombo.
Lembrando-me do velho Drummond, respondi:
Sempre haverá folhas e pedras em nosso caminho; podemos fazer das pedras alicerces e das folhas belos arranjos.
Como os tombos são inevitáveis, ainda nos resta fazer poesia.

Passado indigesto

PASSADO INDIGESTO

O tempo assiste você pateticamente ruminar
lembranças indigestas do passado,
enquanto regurgita frustrações,
azedando o presente...
Rejeita o futuro que se oferece
como um banquete e
devora as migalhas espalhadas
sobre a mesa da solidão...

Essas migalhas não alimentam
nem preenchem seus vazios.
A fome é outra...
Diante do prato insosso,
sua alma adoece,
os sonhos padecem,
a vida definha na amargura
até morrer de inanição.


sexta-feira, 6 de dezembro de 2013

Retrovisor


RETROVISOR
 
O que dói não é o fim...

Quando na verdade nunca houve começo,

apenas a ilusão de quem amou sozinho.

 

O que dilacera a alma é ser fulminado

pelos raios de indiferença fosca

lançados por um olhar de vidraça.

 

Por fim,

já não há pranto nem desencanto.

Só marcas na estrada vistas

pelo espelho embaçado

do retrovisor...