PALAVRAS SINGULARES

São palavras jeitosas, formosas, inteiras.

Sem sentido, sem juízo, sem valor.

Faceiras, brejeiras, até corriqueiras.

Palavras intensas, carentes ou contentes.

Indecentes, inocentes, contingentes.

Trazem riso, pouco siso, alegoria.

Palavras de fé, de magia, de folia.

Fazem chorar, descontrolar e lamuriar.

Falam de amores, de dissabores,

exaltam as dores.

Palavras alegres, cintilantes, efusivas.

Verdadeiras, sorrateiras, benzedeiras.

Palavras que excitam, incitam, ousam sonhar.

Assim como falam, se calam.

Suplicam, replicam, explicam.

Palavras perdidas, inventadas...

De enfeite, deleite, um falsete.

Palavras tão belas, palavras de fera.

São palavras singulares,

São palavras de mim.

quinta-feira, 27 de março de 2014

Entrelinhas



ENTRELINHAS

O verso entra em reverso,
provoca comoção...
espalha-se num alvoroço,
desliga os fios razão.

Sob as vestes da poesia,
que traz no bojo ousadia,
se esconde um prazer que seduz...
Encanta, arrepia, amolece
e alicia.

A intenção é cela sem grades,
aprisiona as vontades,
desmonta a sensatez...
Revela a preferência,
corrompe a inocência,
pecado sem nudez.

domingo, 23 de março de 2014

Romaria

ROMARIA
Sigo-te entre as trilhas da distância...
Visito teus altares, recito rosários,
recantos de música e poesia.
Nas sendas da memória,
percorro caminhos sagrados,
movida por esse amor,
em fervorosa devoção.
Estás tão inacessível...
Rotas íngremes circundam
o santuário onde te recolheste
de mim.
Perco as horas, esqueço-me do tempo.
E assim, a noite atravessa o dia...
Despida de orgulho, saudade no peito,
acalento os sonhos,  peregrina solitária
no vagão dessa romaria.

Ocaso



OCASO

Na imensidão do silêncio absurdo,
tudo o que se ouvia era a voz do mar...
Suas marolas beiravam a areia,
contavam estórias de sereia,
segredos roubados de lá.

E na tela do infinito,
raios fulguravam no céu...
O sol já se despedia,
deixando enciumado o dia,
a saudade jogada ao léu.

Seguindo o compasso do tempo,
muito em breve no firmamento,
outra estrela estaria a brilhar.

quinta-feira, 13 de março de 2014

Satrno




SATURNO 


Que mistérios abrigam teus anéis

Teus enigmas desafiam a razão

Corre em tuas veias sangue dos corcéis

Traz no peito, indomável coração



Senhor do tempo, reinou no Lácio

Soberano da foice e do poder

Ergueu no universo seu palácio

Deus Cronos, guarda as chaves do saber.



Saturno, poeta da solidão

Teu planeta é uma constelação

Via Láctea de estrelas e flores



Tuas luas brilham nas caudas dos ventos

Vestem de beleza o firmamento

Aquecem tua órbita de amores

domingo, 9 de março de 2014

Novas Rimas



NOVAS RIMAS

Cansei de rimar amor com dor
Rabiscar pergaminhos de incertezas
Vestir meus versos de saudade
Usar metáforas de infelicidade
Seguir aforismos da tristeza

Abro as janelas da solidão
Estendo um tapete de flores no chão
Vou forrar a cama com alegria
Deitar e rolar na maciez da poesia

Decidi mudar o tom do verbo
Reescrever meus dias com pincel e giz
Fazer do tempo um aliado e servo
Meu mote agora é viver feliz
No